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My heart has the color of sepia, and my soul tastes like youth.
Pedaços de carta, abstrações e subjetividades

Digo-te: tu és uma das linhas cruzadas no caminho que a vida faz na palma da minha mão esquerda. Sim, há um certo tipo de chulismo nisso tudo. Uma estaca que se fincou e não largou mais a minha carne… algo para o qual eu habituei-me a constantemente olhar e tornou-se impossível viver sem sentir teu olhar (com a saudade). Embora tu não estejas mais, eu tenho de convir que ainda há algo teu por aqui.
Há uma estaca cravada na minha carne.
(onde teus dedos permaneceram)

Algo teu.

Há um sol que se põe,
Há um vento que sopra,
Há um mar que se agita,
Há um pé que passa tranquilo.

Há um certo tipo de esquecer.
Um esquecer que esquece no escuro do calor quarto; no exato momento em que os sussurros reinam etéreos e o mundo não passa do espaço morno que existe entre o meu ouvido e o teu hálito (entre o meu ouvir e a saudade).
Há um esconderijo debaixo dessa melancolia.
(eu me cravarei em teu corpo)

Algo teu.

Há um bando de pássaros que voam para o sul,
Há pegadas que deformam o chão,
Há uma linha que me puxa,
Há uma imensurável saudade.

Há no meu sentir.
Algo teu.

Ricardo Oliveira